sábado, 23 de fevereiro de 2013

"DE SOLAS E ASAS": O IMAGINÁRIO DE ANDRÉIA PIRES

Como última postagem referente aos livros de autores riograndinos que adquiri na 40ª Feira do Livro do Rio Grande, convido os colegas e leitores a lerem meu comentário sobre a obra "De Solas e Asas", de autoria de Andréia Pires.

A postagem está na coluna "Livros", onde os leitores poderão fazer os comentários sobre o texto que redigi e sobre a leitura que possam ter realizado da obra da colega Andréia.

Adriane

INFORMAÇÃO DE UTILIDADE LITERÁRIA

Caros amigos e leitores:

As postagens sobre os livros "Poetas de Pijama" e "A Razão do Absurdo" podem ser lidos, a partir de agora, na Coluna 'LIVROS' deste blog.

Já a participação de Lidiane Dutra, com o texto "A diferença entre desenho, ilustração e cartum", foi redirecionada para a coluna 'ARTE'.

Peço a gentileza aos seguidores e leitores que desejam comentar estas postagens que o façam nas referidas colunas.

Obrigada.

Adriane

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A DIFERENÇA ENTRE DESENHO, ILUSTRAÇÃO E CARTUM


Aprendendo o que é o que.

Por: Lidiane Dutra, colunista convidada

Olá leitores do Br392!
Na postagem Curtindo o livro Poetas de Pijama, a Adriane levantou a dúvida se as imagens da publicação seriam cartuns ou desenhos e, diante do exposto, comentei que o termo mais adequado seria ilustrações. Por isso, ela gentilmente solicitou que eu escrevesse um texto sobre as diferenças entre cartum, desenho e ilustração.  Gostaria de agradecer o convite e, já de saída, digo que existem linhas muito tênues separando um termo do outro, mas, de uma maneira geral, vou traçar uma breve definição para cada um desses conceitos.
Desenho é uma linguagem artística, que pode ser encarada como processo para se chegar à outra obra (pintura, escultura, etc.), ou como uma obra em si. Serve como suporte para qualquer tema ou ideia que o artista pretenda desenvolver. Vejamos um exemplo:

 
Lidiane Dutra, Velejadora, 2012. Técnica: Grafite e lápis sobre papel.
(http://lidydutra.com)


Já a ilustração tem um caráter informativo. Geralmente, acompanha um texto e complementa a ideia do autor. Há muitas ilustrações em livros, revistas e jornais. Podem ser tanto um desenho, como uma pintura, gravura, colagem, fotografia. Vamos ver outro exemplo:

Aqui, o desenho complementa o poema de Jeronimo Sanz.

(http://sonhonosonho.wordpress.com)

No caso do livro Poetas de Pijama, os textos foram ilustrados. Eu me apropriei dos poemas da Tamiris Machado, a fim de integrar texto e imagem. Já outros ilustradores preferiram trabalhar sobre o tema “Poetas de Pijama”. Recentemente, tenho notado a tendência em ampliar o conceito de ilustração, mas isso requer uma discussão mais aprofundada, que não cabe ser feita agora.
Cartum, termo que se origina do inglês Cartoon, é uma obra com teor crítico e/ou humorístico, que pode estar acompanhada de um texto ou sozinha, geralmente publicada em jornais e revistas, satirizando os fatos cotidianos da sociedade, o que leva o leitor a refletir sobre o tema abordado. Não sou cartunista, portanto, restrinjo minha definição e convido os cartunistas papareias a participarem do debate.
Agradeço mais uma vez à Adriane, e convido vocês a visitarem meu blog e conhecerem meu trabalho (em desenho, ilustração e outras coisas mais): www.lidydutra.com.

Abraços,
Lidiane
Imagens extraídas de



domingo, 17 de fevereiro de 2013

QUANDO?


Pode ser até a noite

quando os cães ladram

os gatos espiam a vida 

com seus olhos de coruja

e os humanos

bem

os humanos vivem seus pesadelos

ou dormem suas agruras.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

POR QUE LER OLMEDO E SEU 'A RAZÃO DO ABSURDO'



Como todos sabem não sou formada em Letras e os conhecimentos que possuo de Teoria Literária não são suficientes para tecer qualquer crítica a algum outro colega escritor. Aliás, nem tenho tal pretensão.
O que pretendo ao comentar os livros de autores riograndinos que lançaram na Feira do Livro (sendo que, neste ano, só pude escolher três, e preferi não adquirir nenhum de autores de outros lugares) é apenas divulgar o trabalho realizado em Big River, nesta área cultural, e comentar o que encontrei de interessante nas obras dos colegas.
Hoje falarei um pouco sobre o livro de Paulo Olmedo, intitulado “A Razão do Absurdo”.
E aí já começa o ‘problema’, por assim dizer, pois quem poderia confiar num livro com um título que tenta encontrar sentido em algo que geralmente é desconsiderado ou tratado como irracional?
Para mim, desconfiada que sou, o título, por si mesmo, já prendeu minha atenção: eu prefiro que se reconheça que, mesmo em meio ao caos, existe certa razão ou lógica do que acreditar que sou a única maluca que pensa assim.
Olmedo despertou minha curiosidade no título por pelo menos me dar a entender que ele vê algumas coisas como eu, ele identifica que mesmo em situações muito absurdas, de cunho real ou fictício, engraçadas ou tristes, existe uma lógica que explica porque os fatos estão ocorrendo, mesmo que essa racionalidade possa ser entendida apenas pelo personagem criado ou pelo leitor.
Portanto, nada é ilogicamente absurdo ou impossível, mesmo que somente o personagem, ou quem se identifica com a história, possa entender porque certos fatos fazem tanto sentido para si, embora não para outros.
Para mim, isso resume o título e a obra, que capta cenas do cotidiano ou do plano da imaginação, sentimentos, conflitos, ações e pensamentos que, em geral, são visto como produtos de atitudes absurdas e, portanto, incapazes de ocorrerem na vida real.
No entanto, justamente o que torna a leitura instigante é perceber que, mesmo sendo aparentemente absurdas, muitas coisas descritas por Paulo Olmedo podem e acontecem no dia a dia.
E, quando não ocorrem, é bastante possível que um dia pudessem vir a acontecer, eis que, na verdade, as ações e os personagens criados pelo escritor nada mais são do que fruto da absurda condição de humanos que todos possuímos.
Contos que mais apreciei:
A Caixa Mágica: quem de nós, diante de uma tragédia sofrida por outros, ou por nós mesmos, não gostaria de ter uma forma de reverter a situação? A tragédia do menino deste texto é tão densa e o peso que isso lhe traz é tão grande que se torna nosso. Eu também desejei que a caixa mágica pudesse confortar o personagem.
Havia dias em que acordava com a camisa da seleção: não, não é um conto sobre a nostalgia que muitos torcedores têm de seleções brasileiras e campeonatos mundiais do passado. É a crônica de como um fato, mesmo que sem muita importância, pode modificar a vida de uma pessoa e transformar a mesma. É a narrativa lógico-absurda de como uma situação pode levar as pessoas a extremos e depois o processo se reverter e já não se ter mais a certeza absoluta sobre quem eram os loucos. Gostei muito do fim que considerei muito original.
Pirulito comeu caviar: este foi um dos meus preferidos, embora bastante trágico. A realidade desnudada neste conto, acredito, muito bem pode ter ocorrido em qualquer lugar, talvez aqui mesmo na nossa cidade. E essa dureza ao descobrir o que Pirulito comeu, sem que o autor precisasse usar recursos forçados para induzir a reflexão ética, é que leva o leitor a pensar em que tipo de sociedade estamos vivendo ou criando.
Pirandello e Ele: excelente crônica sobre o exercício da literatura, expondo o egoísmo do escritor que cria ‘vidas’, mas não concede autonomia para seus filhos ‘darem’ os rumos que desejam as mesmas, ainda que fictícias. Alguns a classificarão como uma alegoria. Gostei muito também.
A razão do absurdo: este conto me faz pensar se não seria o sonho do próprio autor que é narrado, mas prefiro acreditar que ele não deixaria seus sonhos pessoais assim expostos a comentários públicos, pois isso seria um absurdo. Contudo, talvez por ser tão absurda essa seja a resposta racional exata. Não sei, devo estar escrevendo isso porque, na realidade, eu me identifiquei com o personagem; já tive a mesma aspiração. E para esconder isso, estou tentando dizer que esse é o sonho do Paulo, digo, de João Pedro, que bem poderia ser qualquer um de nós, escritores dessa cidade. Excelente conto. Entrou para o rol dos meus preferidos.
Então é isso. Acredito que se deve ler Paulo Olmedo pela capacidade que ele tem de criar essas situações que bem poderiam ocorrer conosco.
Acredito que se deve ler “A Razão do Absurdo” porque a vida é absurdamente racional e nós bem que poderíamos ser um dos personagens deste escritor riograndino.
Adriane Dias Bueno

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

AGORA É MINHA VEZ


Tem gente que diz que eu escrevo bem. Eu acredito que, às vezes, consigo criar algo bom de se ler.

Por isso informo que ainda há alguns exemplares, tanto na Livraria Vanguarda, quanto comigo, do meu segundo livro "Estranhamento".


Eu realmente gosto muito desta capa.
Quem tiver interesse procure a dita livraria ou entre em contato pelo face.

Abração.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

CURTINDO O LIVRO "POETAS DE PIJAMA" II


CURTINDO O LIVRO
“POETAS DE PIJAMA”: BREVE COMENTÁRIO
Parte 2: Textos Literários
Polifonia: Tamiris Machado Gonçalves – p. 15: Poema suave que retrata as influências que a poeta recebeu em sua escrita. Todos os escritores se identificariam com a beleza e simplicidade destes versos, pois todos têm vozes interiores que vem de outros escritores e ‘outros de nós’ que dão o tom de nossos escritos. Excelente título também. Muito bom, Tamiris.
Embriaguez: Jéssica Dias de Souza – p. 26: em minha modesta opinião, escrito no estilo prosa poética. Muito interessante porque o tom do escrito é comedido, mas nas linhas se pressente a intensidade de sentimentos que a autora nutriu, o que, muitas vezes, consegue atingir o leitor mais do que um texto que seja totalmente intenso, mas que se extingue como um fósforo ao acabar seu combustível. Gostei do mistério também. Parabéns, Jéssica.
 Mãe, não quero férias!: Vanessa Cardosos Barrientos – p. 39: descrição vívida dos sentimentos e pensamentos de uma criança que, pelo que entendi, possui alguma espécie de deficiência mental. O medo do protagonista, principalmente com relação ao significado distorcido do termo férias, é tão intenso que não há como não se identificar, assim como não sofrer pelo preconceito que ele entende que sofre. Prosa muito bem construída. Excelente, Vanessa.
Rupturas: Gilliard Avila Barbosa – p.44: poema escrito em estilo mais clássico, mas impossível de não agradar, tanto pelo ritmo que possui, que me lembrou um pouco Camões e Shakespeare, referências importantes na literatura mundial, mas principalmente pela forma como o poeta usou as figuras de linguagem para retratar a ruptura, a dor que suas palavras causaram na personagem, levando que um futuro em comum se tornasse passado. Gostei muito, Gilliard.
Mundo: Mauro Nicola Póvoas – p. 55: poema crítico-romântico, se é que se pode dar essa denominação, com uma simplicidade que cativa. Além de tecer críticas sobre a tecnologia, conduz o leitor a perguntar sobre o que seria a salvação para tantos desnorteios mundiais. Para o poeta é o amor. Quem sabe não seria para todos... Muito bom, Mauro.
À Moda Antígona: Andréia Alves Pires – p. 59: Totalmente inusitado e criativo. Um daqueles contos que mexem com a cabeça do leitor e fazem refletir se o que está escrito é o que realmente parece, ou se há algo mais nas entrelinhas. Instigante, dá uma sensação de pânico e, ao mesmo tempo, um furor para continuar lendo porque faz uma análise bem profunda do ser humano falante ou ouvinte e da influência que o mundo atual trás sobre os sentimentos. Excelente, Andréia.
Uma Mentira Silenciosa: Matheus Bandeira de Carvalho – p. 95: é quase impossível expressar o barulho que o silêncio faz. Mas acredito que Matheus foi muito feliz ao escrever esta crônica, que caracteriza algo que parece instransponível. A frase que me impactou? “Mas, daí, parto do princípio que o silêncio é confundido com o descaso dos ouvidos exaustos”. Ao que algo em mim ecoou, mas não em resposta: “Eu só sou eu quando em meio ao barulho do silêncio que abarcou toda minha vida”. Excelente Matheus.
O Melhor Remédio: Lilian Gonçalves de Andrade – p. 114: uma trama psicológica intensa e arrepiante. Um thriller policial dos melhores que já li nas crônicas desta cidade. Fiquei sem fôlego ao submergir no universo da dra. vingativa criada por Lilian. Nada resta a dizer, senão: Somente quem ler o conto conseguirá entender o quanto este ele é instigante. Parabéns, Lilian.
Estilística: Mitcheia Guma Pinto – p. 119: um bom exemplo de um poema que fala de sensualidade, seja da que vem do ato de escrever, seja da que surge em decorrência de uma paixão. Nada mais precisa ser dito. O poema fala por si. Muito bom, Mitcheia.
Entrega: Mayara Floss – p. 167: eu segurei o leme do navio e me tornei o capitão da crônica escrita por Mayara, pois ela conseguiu falar do mar e dos homens que ali laboram, dos seus sentimentos e desejos. E como não se identificar com tal personagem, visto que muitos de nós nasceram e cresceram numa cidade portuária? Amo esses dois temas e, por isso, amei o texto como o capitão que se entregou ao mar porque o amava e já era a hora de voltar para seu amor. Excelente, Mayara.
Outros textos eu também gostei e escrevi no próprio livro sobre minhas impressões. Mas aqui comentei, como eu disse antes, os trabalhos com os quais mais me identifiquei.  
Certamente, outros lerão a Antologia “Poetas de Pijama” e também sentirão a força dos textos que a compõem e, assim desejo, irão também tecer seus comentário, com certeza ainda melhores e mais expressivos dos que os que aqui eu simplesmente lancei ao léu.
Parabéns a todos que participaram desta empreitada. Que outras obras, sejam em conjunto, sejam individuais, possam ser produzidas, para que os leitores daqui e de outras cidades possam conhecer o excelente trabalho que os colegas realizam na cidade.
Adriane Dias Bueno, leitora ávida.